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Leitura Espiritual do Domingo 24 de Setembro

18 Setembro 2017 Notícias do CGI

Leitura Espiritual do Domingo 24 de Setembro

Sociedade de São Vicente de Paulo

Leitura Espiritual

Semana de 18 de setembro (referência: leituras do domingo 24 de setembro)

25º Domingo   do Tempo Comum - Leituras: Fl 1,20c-24.27ª; Mt 20,1-16a

“Os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos”.

Reflexão vicentina

O Evangelho desta semana é muito intrigante.  É contra todos os cursos de gestão empresarial que reforçam a ideia do pagamento por desempenho.  Estes princípios da boa gestão consideram que cada pessoa deve ser medida segundo o seu resultado e, portanto, sua recompensa deve ser proporcional a ele.  Não há consideração da (boa) vontade nem de quem paga, nem de quem recebe o salário.

No livro “Do Sentido de Ser Cristão”, Bento XVI afirma que, mais do que expressar como era o trabalho no tempo de Jesus, a Parábola dos Operários da Vinha é muito atual.  Imaginemos uma pracinha de uma cidade do interior, aonde ficam os agricultores pobres esperando que os grandes proprietários de terra venham contratá-los pela diária, isto é, pagando o salário por dia de trabalho para trabalharem a terra.

Os primeiros que foram contratados logo de manhã foram trabalhar contentes porque ganhariam a sua diária e poderiam levar o sustento daquele dia para casa.  Mas, o que aconteceu com os outros que ficaram na praça, esperando sem que ninguém os contratasse?  Por acaso eles não queriam trabalhar? Claro que não!  Simplesmente, não foram trabalhar “porque ninguém os contratou” (vers. 7). 

Qual a reação que gostaríamos que o dono da terra tivesse conosco, se fôssemos nós que tivéssemos (por qualquer razão) ficado para trás, agoniados porque não poderíamos levar o salário do dia para a nossa família?  Gostaríamos que o dono da terra passasse e dissesse: “venham amanhã que eu os contrato”?  Ou que ele dissesse: “muito bem, podem ir trabalhar na minha terra, mas eu pago só uma hora de trabalho hoje”?  Acho que nos sentiríamos muito frustrados, porque não poderíamos levar o salário para casa; afinal, os que começaram o trabalho de manhã, já estavam felizes, porque poderiam sustentar sua família.  E nós que chegamos cedo à praça e ninguém nos recrutou?

Que reação teríamos nós, agora, se fôssemos os que foram (por acaso) contratados desde a manhã e recebêssemos o mesmo salário dos que trabalharam por uma hora apenas?  Compreenderíamos que os outros também têm que sustentar a sua família, ou reclamaríamos com o patrão para que pagasse menos a eles, já que trabalharam só uma hora?

A verdade é que costumamos avaliar os outros pelos seus resultados e a nós, pela nossa intenção.  Mas o Senhor da vinha e da Vida pensa diferente.  Ele avalia pela intenção antes e pelo resultado depois.  Ele adiciona ainda um outro ingrediente mais importante: a misericórdia.  A mesma misericórdia que queremos de Deus, quando somos nós que “ficamos para trás” e não somos contratados, ou não somos promovidos em nosso trabalho, ou não recebemos um aumento de salário.

Será que, como vicentinos, pensamos às vezes da mesma maneira?  Queremos sempre ser reconhecidos pelo bom trabalho que fizemos e nos esquecemos de que os nossos irmãos de vocação têm uma intenção tão boa e grande como nós, mas, por qualquer razão, não puderam ter destaque no seu caminhar de vida profissional ou vicentina.  Por outro lado, às vezes, julgamos o Pobre que servimos pelos seus resultados: “ele passa o domingo descansando, quando poderia muito bem trabalhar na construção de sua casa; afinal, é a conferência que está pagando o material com o suor dos seus membros”!

Será que somos capazes de esquecer por um momento os resultados e entender a intenção dos outros – irmãos na vocação ou assistidos na ação, julgando-os e recompensando-os com misericórdia, assim como Deus faz conosco?