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A reciprocidade do encontro

04 Outubro 2016 Projetos Témoignage

A reciprocidade do encontro

O Conselho Departamental de Hauts-de-Seine (92) na França organizou recentemente uma formação destinada a seus voluntários sobre a temática da visita a domicílio, da reciprocidade do encontro e da importância da escuta dentro de uma dinâmica de acolhimento.

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O Conselho Departamental de Hauts-de-Seine (92) na França organizou recentemente uma formação destinada a seus voluntários sobre a temática da visita a domicílio, da reciprocidade do encontro e da importância da escuta dentro de uma dinâmica de acolhimento.

Conduzida por um psico-gerontólogo aposentado, Daniel, a formação que durou um dia foi rica e intensa. Ela questionou nossa relação com o outro no serviço que nós levamos às pessoas isoladas.

Uma quinzena de voluntários franceses presentes compartilharam suas diferentes experiências de voluntariado (visita a domicílio, acolhimento do dia nas mercearias solidárias, assistência nas ruas junto aos sem domicílio etc.) , bem como seus sentimentos sobre a maneira que eles vivem o encontro junto à essas pessoas frágeis

Dois voluntários de Hauts-de-Seine testemunham acerca de seu engajamento. Jean-François faz a visita a domicílio há alguns anos e segundo ele, o acompanhamento de uma pessoa passa necessariamente pela reciprocidade. “[…]  é necessário que a pessoa que nós ajudamos reencontre a oportunidade de ajudar também. É preciso dar a ocasião às pessoas isoladas de dar também […] .” Jacqueline, voluntária, afirma que “é fácil para nós, voluntários, de doar. Mas é necessário que a doação vá nos dois sentidos.”  

A reciprocidade aparece então incontornável... mas não para todo mundo. Há certos pontos de vista divergentes, como aquele de Thierry, voluntário no seio de uma mercearia solidária. Todas as manhãs das segundas-feiras ele acolhe pessoas em necessidade que vêm recuperar seus pacotes alimentícios para a semana. Ele conta que em diversas situações ele acolhia pessoas da rua, alcóolicos, cujo odor lhe repugnava. Nesta situação, ele reconhece ter tido dificuldades em entrar em relação com esta pessoa e querer se limitar somente a distribuir os alimentos a este indivíduo, sem levar o encontro mais adiante.

Palavras que não deixaram de fazer reagir Lucie Doignon. A presidente do Conselho Departamental de Hauts-de-Seine lembra a seus voluntários que a vocação da SSVP não é a simples distribuição mas que ela encontra sua legitimidade na conexão social que ela cria com seus beneficiários. Assim ela afirma: “é preciso colocar novamente o coração da pessoa no seio da atividade da SSVP e privilegiar o contato humano, realocar a formação e a espiritualidade no coração da ação”.

Durante a jornada , o formador insistiu no fato que nenhum ato que seja é realmente desinteressado. Isto significa que um voluntário deve encontrar seu interesse na ação que ele realiza junto a uma pessoa em situação de isolamento, e também que esta pessoa deve encontrar seu interesse na relação que se cria com este voluntário.

Segundo ele, o acompanhamento de uma pessoa isolada implica o fato de entrar em relação, de andar ao lado para ir onde essa pessoa queira ir. Ajudar não querendo dizer fazer no lugar de, mas de fazer com. Uma jornada muito instrutiva que interroga a capacidade de escuta de cada voluntário diante dos públicos que eles encontram e ajudam. Mais informações sobre este assunto: ssvp.hauts.de.seine@gmail.com ou cgi.communication@ssvpglobal.org

Visita a domicílio: detectar as pobrezas invisíveis

Pessoas sozinhas, mães solteiras isoladas, pessoas em situação de grande precariedade material ou física: como reparar estes “invisíveis” e lutar contra o isolamento, “nova forma de miséria silenciosa da sociedade contemporânea” segundo Jean-François SERRES, referência nacional Monalisa (Mobilização nacional contra o isolamento de pessoas idosas)?

Michel Lanternier, novo presidente da SSVP França constata que “com o desenvolvimento da tecnologia, da robótica e das redes sociais, poderíamos crer que a população nunca esteve tão conectada, e assim que a solidão  que a solidão seria uma coisa do passado. Infelizmente, a solidão não cessa de progredir. Ela atinge hoje em dia cinco milhões de pessoas, 1 francês para cada 8.” Para sensibilizar a esta causa, a SSVP França lança um curta-metragem e espera assim recrutar novos voluntários para lutar contra a solidão. Encontre-o no Youtube no link a seguir : https://www.youtube.com/watch?v=kMXKr3-nQds  

François le Forestier, responsável do pólo precariedade de Aos Cativos da liberação ( ?)  faz uma constatação aflitiva “as pessoas que se escondem são aquelas que não querem mais relações pois elas sofreram muito ou porque elas têm vergonha e culpabilizam. E é necessário respeitar a vontade dessas pessoas”.  Mas até que ponto ?

Atualmente, como detectar pessoas sozinhas e engajar um processo de acompanhamento ? A SSVP aconselha às pessoas que desejam montar ações de visita a domicílio para lutar contra a solidão de pensar em uma rede humana, territorial e social: redes de proximidade (vizinhos, família, amigos, boca a boca), prefeituras, ou ainda equipes médico-sociais (assistentes sociais, educadores, gabinetes de enfermarias, farmácias, médicos...). Se torne voluntário com a SSVP França: http://www.ssvp.fr/devenir-benevole/